Balanço da Cimeira de Copenhaga

Foi melhor que nada, mas o mundo ficou muito longe do plano climático que se pretendia. Ninguém levantou a voz para apoiar o texto minimalista e sem ambição que resultou de uma megarreunião de vários dias entre representantes de todo o planeta.

O acordo encontrado para combater as alterações climáticas que a sociedade civil de todo o planeta tanto pressionou para ser firmado em Copenhaga não agradou a ninguém. Pode afirmar-se que a reacção mundial ao Acordo de Copenhaga foi consensual, só que na apreciação negativa.
Duas semanas, 193 países, milhares de participantes, dezenas de organizações não-governamentais. Ou seja, uma das maiores conferências da História – reduzida, na última madrugada do encontro, a um acordo de meras intenções, com duas páginas e meia. As 12 alíneas do texto incluem pouco mais do que uma série de tomadas de posição a favor de um desenvolvimento sustentável e o reconhecimento de que as alterações climáticas são uma grave ameaça que deve ser vigorosamente combatida. Nem sequer foram definidas metas para os cortes de emissões de gases com efeito de estufa.

Um dos poucos pontos positivos e concretos saído da Cimeira foi o reconhecimento de que um aumento de 2ºC de temperatura, em relação aos níveis pré-industriais, é o máximo que o planeta pode suportar. As Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, ao reconhecerem o acordo, comprometem-se a reduzir suficientemente as emissões de gases com efeito de estufa para que o aumento de temperatura não exceda esse valor. A ciência diz que 2020 tem que ser o ano em que as emissões atinjam o seu pico e comecem a descer e o texto final de Copenhaga refere apenas que é preciso alcançar esse pico “tão depressa quanto possível”...
As páginas que constituem o Acordo de Copenhaga não definem limites quantitativos para as emissões de CO2. O ponto 2 do texto diz apenas que “são necessários cortes profundos nas emissões globais”. Ainda vão ser postos no papel os limites que os países ricos já anunciaram voluntariamente. Resumindo, é muito pouco para quem esperava um acordo ambicioso.
Uma das poucas boas notícias que saíram de Copenhaga foi a aloção de 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020, num fundo de apoio aos países pobres, para os ajudar a adaptar às alterações climáticas e diminuir os efeitos do aquecimento global. Estes financiamentos revelam-se fundamentais, uma vez que as populações dos países menos desenvolvidos são as que mais sofrem com as alterações climáticas.
A meio da Cimeira, quando os impasses e o abandono de reuniões por parte de alguns delegados estavam a minar as negociações, ganhou força a hipótese de adiar um acordo para a próxima Conferência das Partes, na cidade do México, em Dezembro de 2010. Na melhor da hipóteses, o tal documento por que se suspirava – um “Quioto Parte II”, no âmbito das Nações Unidas, que realmente imponha limites – só deverá surgir no México. Se algum dia surgir.

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